Cinco anos após a derrota de Silentium, como as linguagens gráficas e visuais salvaram o reino
Atualizado: 16 de set. de 2021

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Em junho de 2021, a cidade de Magisterium foi atacada pelo impiedoso Silentium, um dragão milenar que deu fim a seu sono profundo. O reino foi tomado pela guerra, os edifícios foram incendiados e toda a população foi obrigada a se unir para combater o inimigo. Um time de comunicadores, conhecidos pela vizinhança como especialistas, encarregou-se de resgatar todos os registros espalhados pela cidade para fornecer as informações necessárias acerca das batalhas. Desde os labirintos perdidos, os poderes esquecidos da flora, os segredos do dragão, até um projeto de conscientização coletiva - foi um baita trabalho de colaboração. Os guerreiros estavam no front, enquanto os especialistas estavam nas bibliotecas. Sem eles, não teria sido possível um final feliz para nossa Magisterium.

Foto: Reino de fogo
Hoje, em comemoração aos cinco anos após a derrota definitiva de Silentium, conversamos com alguns especialistas para entender um pouco dos estudos gráficos que foram utilizados para auxiliar no sucesso da guerra. O conhecimento foi o grande pilar deste momento tão difícil do reino e, por isso, é muito importante que jamais percamos essa essência. Somente assim, não esqueceremos o valor do aprendizado em momentos de crise. O caos se resolve apenas com a sabedoria.
De acordo com a editora Júlia Bastos, coordenadora das pesquisas de guerra, o primeiro e mais crucial entendimento gráfico se deu no processo de reconstrução dos materiais destruídos pelo fogo. Nas primeiras invasões, Magisterium e as cidades vizinhas estavam despreparadas, e, por esse motivo, grande parte dos registros foram queimados. O desafio inicial era recuperar o acervo do Mosteiro de Cognitionis, que, nessa altura, já estava resumido a cinzas e destroços. Para que o esforço de restauração fosse mais eficiente, os comunicadores tiveram que listar todos os tipos de suportes de mídias que estavam guardados no mosteiro.
Nos primórdios das civilizações da região, as informações eram documentadas em grandes placas de pedras, apropriando-se de códigos ilustrados, como os hieróglifos. Anos mais tarde, passou-se a utilizar os textos em papiros e pergaminhos, feitos basicamente de caules das plantas. Avançando no tempo, as sociedades abandonam os rolos de escrita e aderem o códice, formato próximo ao que conhecemos como livro. De lá pra cá, surgem as prensas móveis até os avanços tecnológicos e digitalização dos registros. Os especialistas teriam de lidar com todas essas diferentes formas de mídia ao longo das épocas. Portanto, o primeiro passo era entendê-las.
Outra compreensão indispensável para a restauração do Mosteiro de Cognitionis era a tipologia, que, como tudo na comunicação, evoluiu ao longo das décadas. "Elaborar um estudo sobre as fontes e tipos nos ajudou muito a acessar certas sutilezas do processo comunicacional" afirmou a tipógrafa Ana Beatriz Caparroz. Isso porque existem combinações e variações no visual da escrita que, dependendo da situação, conferem certas suposições indiretas, como as letras garrafais em capas de jornais ou moldes dinâmicos na escrita em quadrinhos e charges. Reconhecendo essas convenções do design textual, tornou-se possível simplificar a atividade de presumir o que cada pedacinho de papel queimado poderia significar.
Além dessas noções, muitas outras tiveram que ser aprofundadas para atender às necessidades da guerra. O saber das cores, por exemplo, foi ideal para identificar as propriedades naturais da nossa flora. A gravurista e entusiasta da natureza Laís Reis explicou que, determinados pigmentos definiam o grau de toxicidade das flores. Dessa forma, os guerreiros poderiam não só desviar das plantações venenosas, mas também usá-las contra o Silentium. Uma curiosidade é que observou-se a existência de um processo espontâneo dos jardins, que aproxima as cores complementares e, por consequência, torna a paisagem mais harmônica. Ademais, foi de suma importância construir sistemas planográficos para entender o relevo das áreas que ocorreriam as batalhas. O layout físico das cidades também desempenhou papel fundamental para, através de sua visualização, mobilizar espaços de refúgio e proteção.
Nesse sentido, é evidente inferir que sem o árduo esforço dos especialistas em comunicação de Magisterium provavelmente nós não estaríamos aqui para contar essa história hoje. Viva Magisterium! Viva os nossos especialistas!




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